A(MEU)GOSTO

O (meu) mês já vai passar e eu ainda não postei nada em homenagem a esses trinta e um dias de pura influência astrológica em minha vida. Tá chovendo, Morpheus anda me testando demais ultimamente e há dias tenho pensado em fazer um ‘breve ensaio sobre a loucura e o querer’, anseios e devaneios que sempre (ou nem sempre) nos levam ao que normalmente chamamos de ‘felicidade’. Sei que pra muitos nada fará sentido nesse post, mas isso aqui servirá mais como carta póstuma -só depois, com outro olhar, será verdadeiramente compreendido (talvez quando a gente perceber que realmente conquistamos ‘essa tal felicidade’ tão buscada).

Andei lendo algumas coisas de Arthur Schopenhauer que me fizeram perceber que a vida é realmente cíclica -e que daqui uns dez anos, o que direi agora fatalmente será uma pequena previsão de um futuro destinado a sempre acontecer, assim como o trecho a seguir, de muitos anos atrás, nos mostra.

” […] Tudo na vida clama que a felicidade terrena está destinada a ser malograda ou reconhecida com uma ilusão. os dispositivos para isso encontram-se profundamente na essência das coisas. Em conformidade com o dito, a vida da maioria dos homens é cheia de problemas e breves. Os comparativamente felizes o são na maior parte das vezes só aparentemente, ou então são, como os de vida longa, exceções raras, para os quais tinha de restar uma possibilidade – como aves chamariz. (atenção agora) A felicidade, em consonância com tudo isso, reside sempre no futuro, ou também no passado, e o presente é comparável a uma pequena nuvem negra que o vento impele sobre a superfície do sol: em frente e atrás tudo é brilhante, apenas ela mesma lança sempre uma sombra. (atenção redobrada) O presente, por conseguinte, é a todo momento insuficiente, o futuro entretanto incerto, o passado irrecuperável.”

 

Quando me propus a sentar em frente a esse computador pra escrever, decidi que iria tirar proveito da ‘melancolia construtiva’ que o mês me confere a qualquer custo, mas daí bati com a cara frente ao sentimento de ‘inveja literária’ que me impediu, ao ver esse trecho do schopenhauer, de exprimir qualquer pensamento sobre o que penso haver no comprido caminho rumo à idolatrada felicidade e acabei ficando de mãos (e mente) atadas. Sendo assim, tudo o que tenho direito de questionar agora é: quão longo é  o limite entre o louco devaneio e anseio de querer?

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3 respostas para A(MEU)GOSTO

  1. Sani disse:

    Profundo heim…quase torturante! Facilite as coisas…n complique o que pode ser simples!
    Fica a dica!

  2. leo disse:

    – Quão longa a tua vontade for…

  3. Braulio disse:

    Nossa Bidie, vc é uma escritora.. muito bom seu texto!!!!

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