Super H(omo)eróis

(peço, por gentileza, que vocês se dispam de qualquer opinião já formulada sobre o assunto ‘homossexualidade’ e, como não ambiciono ‘mudar’ o pensamento de ninguém, não precisam concordar ou discordar – só ler para tirarem suas próprias conclusões e estamos quites, ok?)

Esses dias estava conversando com uma amiga sobre como estou cansada de colocarem a homossexualidade num posto de ‘submundo’ da sociedade – assim como vemos nas hq’s, por exemplo com batman, que de dia é um cara ‘normal’ e à noite, ‘se transforma’, nunca podendo revelar quem realmente é. E, apesar dessa questão dar ‘pano pra manga’ e ter uma porção de coisas envolvidas, resolvi escrever about it.

Não sou nenhuma expert nem totalmente leiga, mas acho que posso falar sobre o tema.Todos os dias ouço/vejo/converso alguma coisa sobre isso, sempre tem pelo menos um comentário ‘na área’, rondando nosso dia a dia por aí. Eu, como a maioria das pessoas, conheço/tenho ao menos um amigo homossexual (no meu caso, a margem é bem pra mais que pra menos. Afinal, além dos amigos, a família tá explodindo na cota, rs). Não posso dizer que me orgulho com isso, porque apesar de ‘orgulho’ ser (usado frequentemente e) definido como ‘sentimento’, não entra na minha cabeça a concepção de que uma única palavra pode ser sinônimo de coisas tão distintas como soberba e dignidade. Soberba se vê nos que, por natureza, agem de má fé (consigo e para com os outros) e dignidade, pra mim, é respeito. E respeito, pra mim, é amor. E amor, pra mim, é coisa de quem tem um negócio do tamanho da mão fechada, do lado superior esquerdo do corpo. Então, eu posso dizer, sobre meus amigos e familiares homossexuais, que tenho o mais profundo respeito e amor por eles.

Contudo, apesar dessa negação da sociedade, não tem pra onde correr: pouco a pouco os chamados ‘anormais’ (acreditem, já ouvi esse ‘tipo de definição’ numa conversa -se é que dá pra denominar aquilo de ‘conversa’), estão aparecendo e dando a cara à tapa. Uma vez me disseram que eu teria que ‘amar’ um homossexual ‘pelas qualidades’ dele, relevando seus ‘defeitos’. OPA, PERAÊ: então quer dizer que agora a pessoa não vem mais inteira, vem em duas partes, e você decide aquela que mais te agrada? Desculpaê, mas não sou dessas, amigão. Sou daquelas que amam a pessoa pelo que ela é e que tenta se ajustar aos ‘defeitos’ que ela tem assim como, em contrapartida, a tal pessoa tenta se ajustar a mim, imperfeita como sou. Sou daquelas que pensam que, se queremos uma sociedade sem distinções, qual o motivo ou necessidade de se classificar as pessoas em ‘hetero’ ou ‘homo’? (é como classificar uma latinha de refrigerante em ‘normal’, ‘light’ ou ‘diet’, entendem?). A gente não podia ficar só na criação do fogo, da roda ou, sei lá, do sorvete de pistache (rs). Tínhamos que criar a distinção entre brancos e negros, entre ricos e pobres, altos e baixos, magros e gordos, jovens e velhos, analfabetos e gênios, azul e rosa, bla bla bla whiskas sachê…e o hábito. O hábito do pré conceito, da raiva, da criminalização. Agora, me respondam: PRA QUÊ isso tudo se, como reza a ‘lenda’, ‘viemos do pó e ao pó voltaremos’? Falta a nós, seres racionais (a esta altura chego a duvidar um pouco desta máxima), entendermos de vez que, na realidade, nós dizemos que somos algo porque o queremos ser (yes, que can! pra quê te quero, né mesmo minha gente), embora porém, não sejamos mais ou menos algo como NADA.

Homossexual não serve pra adotar uma criança e fazer com que a vida dessa criatura (gerada a partir de casais heterossexuais, reparem bem a ironia da situação) seja menos triste, MAS SERVE PRA PAGAR TODOS OS IMPOSTOS COBRADOS PELO GOVERNO DURANTE 365 DIAS. Homossexual não pode andar livremente nas ruas, se divertir e dar suas opiniões, MAS PODE SER AGREDIDO, INSULTADO, MARGINALIZADO, HUMILHADO POR PESSOAS BABACAS QUE NÃO SABEM NEM DEFINIR O QUE SIGNIFICA ‘HETERO’ DE ‘HOMO’. Homossexual não pode ser simplesmente feliz. Creio, então, que cabe ao ser, em sua individualidade, não deixar que sua mente envelheça junto com a sua matéria. Cabe ao ser, em sua individualidade, parar de postergar ações. Cabe ao ser, em sua individualidade, num mundo onde até a banalização fora banalizada, rever seus conceitos. Cabe ao ser fazer como que sua individualidade se transforme numa boa coletividade.

A única certeza que eu tenho nessa vida (e hoje em dia me permito até em acreditar noutras, rs) é de que não importa se sou pobre, negra, baixa, gorda, velha, analfabeta ou homossexual (ou tudo isso junto), eu não sou nem pior nem melhor do que o rico, pobre, branco, alto, magro, jovem, p.h.d. ou heterossexual (ou tudo isso junto).

Tá faltando sinceridade, galera. Tá faltando compaixão. Tá faltando coragem. Tá faltando amor e paz. Tá faltando gente e sobrando animais, galera. (nada poderia soar mais clichê, mas) e se fosse com você?

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A(MEU)GOSTO

O (meu) mês já vai passar e eu ainda não postei nada em homenagem a esses trinta e um dias de pura influência astrológica em minha vida. Tá chovendo, Morpheus anda me testando demais ultimamente e há dias tenho pensado em fazer um ‘breve ensaio sobre a loucura e o querer’, anseios e devaneios que sempre (ou nem sempre) nos levam ao que normalmente chamamos de ‘felicidade’. Sei que pra muitos nada fará sentido nesse post, mas isso aqui servirá mais como carta póstuma -só depois, com outro olhar, será verdadeiramente compreendido (talvez quando a gente perceber que realmente conquistamos ‘essa tal felicidade’ tão buscada).

Andei lendo algumas coisas de Arthur Schopenhauer que me fizeram perceber que a vida é realmente cíclica -e que daqui uns dez anos, o que direi agora fatalmente será uma pequena previsão de um futuro destinado a sempre acontecer, assim como o trecho a seguir, de muitos anos atrás, nos mostra.

” […] Tudo na vida clama que a felicidade terrena está destinada a ser malograda ou reconhecida com uma ilusão. os dispositivos para isso encontram-se profundamente na essência das coisas. Em conformidade com o dito, a vida da maioria dos homens é cheia de problemas e breves. Os comparativamente felizes o são na maior parte das vezes só aparentemente, ou então são, como os de vida longa, exceções raras, para os quais tinha de restar uma possibilidade – como aves chamariz. (atenção agora) A felicidade, em consonância com tudo isso, reside sempre no futuro, ou também no passado, e o presente é comparável a uma pequena nuvem negra que o vento impele sobre a superfície do sol: em frente e atrás tudo é brilhante, apenas ela mesma lança sempre uma sombra. (atenção redobrada) O presente, por conseguinte, é a todo momento insuficiente, o futuro entretanto incerto, o passado irrecuperável.”

 

Quando me propus a sentar em frente a esse computador pra escrever, decidi que iria tirar proveito da ‘melancolia construtiva’ que o mês me confere a qualquer custo, mas daí bati com a cara frente ao sentimento de ‘inveja literária’ que me impediu, ao ver esse trecho do schopenhauer, de exprimir qualquer pensamento sobre o que penso haver no comprido caminho rumo à idolatrada felicidade e acabei ficando de mãos (e mente) atadas. Sendo assim, tudo o que tenho direito de questionar agora é: quão longo é  o limite entre o louco devaneio e anseio de querer?

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AMOR, sobre o que penso ser o

O amor te faz ficar boba (o). Você não come direito, não bebe direito, não dorme direito, não ouve direito, não fala direito, quase não respira direito! O amor nos faz ouvir uma única música repetidas vezes. O amor nos faz sonhar. O amor nos faz ter vontades. O amor nos faz sair do chão sem, literalmente, sair. O amor nos faz colocar a melhor roupa. O amor nos faz andar na linha -do trem ou da corda. O amor nos faz sentir frio na barriga. O amor nos faz acreditar e desacreditar. O amor nos faz pular. O amor nos faz cantar, mesmo que a gente não saiba cantar. O amor nos faz mover montanhas. O amor nos move a lugares distantes, física e pscicologicamente. O amor faz nosso coração parecer a bateria da mangueira. O amor nos faz ir ao cinema. O amor nos faz ir ao jogo, ir ao show, ir à praça. O amor nos aquece no frio e pega fogo no verão. O amor nos faz sorrir e gargalhar, nos faz chorar de alegria e de tristeza. O amor nos dá saudade. O amor nos acalma. O amor inclui qualquer coisa. O amor nos faz ver o mundo colorido. O amor nos faz prestar mais atenção nas flores. O amor nos faz muitas coisas, boas e más. O amor, inclusive, nos faz escrever coisas idiotas como as que você acabou de ler.

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say what you need to say

at somewhere…

alright, let’s do it! – god damn it! – right: i’ve fallen in love with you. i have to talk about it, but i dont know how. okay, probably sounds weird and you even will not understands what i really want to say, but – OH LORD! focus, focus, focus… – what i’m saying, i mean, ‘just saying’, you know – and just because i think it’s important to say, only because of it, nothing more – i’m saying that in the end, just love matters. but, as i’m saying, i’m ‘just saying’, you know…i mean, i guess you sure knows ‘what i’m saying’ when i’m ‘just saying’, isn’t? you know, the words ‘between the lines’…

uh…sorry, what? what did you said, dude?

oh, nothing, man!

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PPF e um chá com Caê, I

De repente ocorreu-me que passado, presente e futuro podem não ser suficientes para uma vida só. De repente ocorreu-me que, mesmo as vidas contidas em uma única vida, não são suficientes para um só ser. De que nem talvez o ‘tempo, tempo, tempo, tempo’, apesar de ser um ‘senhor tão bonito’, seja capaz de mostrar que ‘as coisas tem peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, duração, densidade, cheiro, valor, consistência, profundidade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, destino, idade, sentido’, mas que as coisas, as tão cultuadas, buscadas, desesperadamente gritadas e silenciadas coisas, ‘as coisas não tem paz’.

Porque ‘as coisas’ e o ‘tempo’ conseguem trabalhar juntas e suficientemente distantes praticamente ao mesmo tempo, fazendo com que torne-se cada vez mais difícil a nós sabermos, de fato, ‘a dor e a delícia’ de sermos o que somos. De que nesse curto-longo-intervalo de se ser o que se é, acaba-se sendo demais e no fim, nada. Ou nada, tudo. Mas, nada-tudo completamente, satisfatoriamente, nada-tudo-sempre-nunca-jamais.

De repente, não mais que de repente, ocorreu-me que enquanto se foi, se é e se procura ser o que não se foi, o que não se é e o que poderá ou não ser, ocorreu-me que a gente pensa demais mesmo.

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LITERATURA, teoria da

taí, microconto autoral (e ainda em homenagem às famosas aulas de teoria da literatura da faculdade, rs).

DIÁLOGO

“reticências
exclamação
interrogação
hífen
aspas
ponto e vírgula
travessão
barra
dois pontos
interrogação
exclamação
reticências
ponto final

 

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LORCA, Federico García

(ok, prometi que o post seria com conto meu, entretanto achei uma das poesias que declamei em um projeto legal promovido na minha ex-faculdade – UFTM – e precisava compartilhar com vocês).

Deseo

Sólo tu corazón caliente,
Y nada más.

Mi paraíso, un campo
Sin ruiseñor
Ni liras,
Con un río discreto
Y una fuentecilla.

Sin la espuela del viento
Sobre la fronda,
Ni la estrella que quiere
Ser hoja.

Una enorme luz
Que fuera
Luciérnaga
De otra,
En un campo de
Miradas rotas.

Un reposo claro
Y allí nuestros besos,
Lunares sonoros
Del eco,
Se abrirían muy lejos.

Y tu corazón caliente,
Nada más.

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